MONITORAMENTO AMBIENTAL: Coleta de água subterrânea com baixa vazão

MONITORAMENTO AMBIENTAL: Coleta de água subterrânea com baixa vazão

Gestores ambientais ou responsáveis pelos monitoramentos da qualidade das águas subterrâneas de um área já trabalharam ou já tiveram algum contato com o sistema de coleta por “baixa vazão”.

Captura de Tela 2015-10-01 às 02.33.13Normatizado em meados dos anoCaptura de Tela 2015-10-01 às 02.34.18s 90 pela USEPA, este sistema de amostragem objetiva  obter amostras representativas das águas subterrâneas quando de estudos de contaminantes no subsolo

Com a evolução da preocupação com as questões ambientais em nosso país e a busca por procedimentos normatizados e qualidade assegurada, a partir do final dos anos 90 a procura por serviços de coleta pela técnica de baixa vazão ganhou corpo. Entretanto, ainda assim são utilizadas as técnicas de coleta com bailer e com bombas elétricas submersas.

A utilização da técnica de esgotamento e posterior coleta através de bailer dificilmente consegue reproduzir as mesmas condições em diferentes amostragens. O material de construção destes bailers, o tempo decorrido entre o esgotamento e a coleta, a velocidade de inserção e retirada no poço, a aeração da amostra, mudanças de temperatura, manuseio dos materiais, entre outros, são fatores de interferência que podem comprometer a qualidade da coleta.

O uso de bombas elétricas pode acarretar a descaracterização química da amostra, e ainda acelerar o deslocamento dos contaminantes (pluma de contaminação).

O aprimoramento nas técnicas de coleta, representados pela amostragem através de baixa vazão possibilitam uma melhor representatividade as amostras coletadas, evitando custos desnecessários com repetidas amostragens, análises laboratoriais e conseqüentemente programas de remediação e controle inadequados.

No entanto, na utilização desta técnica, é importante atentar para que todos os procedimentos recomendados pelas normas EPA, ASTM e mais recentemente a ABNT NBR 15847.

Entretanto, muitas vezes, procedimentos de amostragem com bombas submersas são indevidamente “apelidados” de coleta com baixa vazão. Sistema “caseiros” ou sem qualquer controle recomendado pelas normas vem sendo amplamente utilizados sob o título de baixa vazão.

O princípio básico do sistema de baixa vazão é coletar amostra diretamente da seção filtrante do poço, através de fluxo laminar e de baixa vazão, evitando a entrada de água com vazão acima da produção fornecida pelo aqüífero. Desta maneira, o distúrbio causado no poço é minimizado e, através do monitoramento de parâmetros físico químicos do fluxo bombeado, identifica-se quando a água passa a ser representativa do aquífero, possibilitando a determinação do momento ideal da coleta da amostra. Diversas variáveis devem ser controladas para que este controle seja possível.

O que se observa, quando não existe um padrão de qualidade da equipe de coleta acreditada pelo INMETRO, conforme requisitos da ISO NBR 17.025 , é que as vazões utilizadas para bombeamento são extremamente maiores que as recomendadas, com o objetivo de reduzir o tempo da coleta e, consequentemente, os custos associados á empresa prestadora de serviços. No entanto, tal procedimento, compromete a qualidade dos trabalhos e, principalmente, aos resultados do monitoramento, podendo aumentar os riscos e custos associados à gestão ambiental da empresa.

Numa amostragem de baixa vazão, o bombeamento deve ser menor ou igual a 1 l/min até a estabilização dos parâmetros escolhidos. Uma vez estabilizados, recomenda-se no máximo a vazão de 0,5 l/min, acompanhada on line pela medição dos parâmetros de controle. Só a partir deste momento, a coleta pode ser efetivamente realizada. As mangueiras utilizadas devem ser descartáveis, de material inerte e não devem ter contato com o solo, mãos ou outros antes da utilização. As bombas, de inox ou teflon devem ser descontaminadas de um poço para outro, também com procedimento específico.

Em síntese, a utilização de equipes de coleta não certificadas pode, no primeiro momento ter um menor investimento necessário, entretanto, ao final dos trabalhos, por sair caro e aumentar os riscos coorporativos ambientais de sua empresa

/ Blog da Marcelino

Compartilhe esse post

Sobre o Autor

Comentários

Sem nenhum comentário

Deixe uma resposta

O seu email não irá aparecer no comentário Os campos destacados são obrigatórios *